Por que publicamos

Por todavia

Eis as nossas escolhas. Esperamos que sejam as suas próximas também.

Então tem essa coisa chamada escolha. Que traz sempre embutida uma série de indagações, caminhos alternativos e outras histórias possíveis de serem contadas. Bate uma dúvida abissal. Mas um segundo antes da escolha – a cena quase em câmera lenta, trilha de filme de Wes Anderson tocando – tem o encantamento geral, a unanimidade. Aí a escolha se torna mais fácil. Aí tudo parece confluir para mostrar que, afinal de contas, a gente pode ter acertado.

Nas quase infinitas reuniões para elencar os títulos iniciais da todavia dispúnhamos, como se pode imaginar, de uma miríade de livros, caminhos e autores. Porque tem muita coisa boa aqui e alhures. Muitos livros que sonhávamos (e sonhamos) em trazer para o Brasil. Muitos autores brasileiros que gostaríamos de publicar. Mas tinha que haver uma peneira. Nada a ver com eventuais méritos e deméritos: tínhamos diante de nós dezenas de livros e originais que tranquilamente poderiam integrar esse elenco inicial. Muitos mesmo. Mas aí precisávamos colocar em prática um de nossos princípios: a curadoria. Que no frigir dos ovos significa selecionar, buscar um ritmo, um equilíbrio, mostrar afinal a que viemos.

E chegamos. Depois de muita conversa e café, conseguimos afinar aquele time inicial, nosso abre-alas, cartão de visita editorial. Quatro livros que nos apresentam (satisfação!) e mostram um pouco os caminhos a serem trilhados daqui para frente.

Vistos agora, com relativa distância (balela: seguimos tremendo de emoção), os quatro parecem começar nossa conversa com você. Vejamos. Um romance contemporâneo forte, de tema atual, com autor que figura entre os grandes nomes do romance de língua inglesa: O vendido, de Paul Beatty. Um romance brasileiro, urbano, também com tema – digamos – porrada, de uma autora que está trilhando um caminho único em nossa prosa: Acre, de Lucrecia Zappi. Uma graphic novel madura e igualmente cômica e amarga de um mestre recomendado pelos mestres (como Art Spiegelman): O bulevar dos sonhos partidos, de Kim Deitch. E uma seleção mesmerizante (é esta a palavra, não tem como escolher outra) de histórias em uma casa (oi) que se define como “editora de narrativas”: O palácio da memória, de Nate DiMeo.

Aqui na todavia fazemos sempre um exercício que é expresso pela frase “Por que publicamos”. A gente precisa se empolgar antes, entender a pertinência do livro, saber como ele vai chegar até o leitor.

Então foram estas as nossas escolhas. Esperamos que sejam as suas próximas também.



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