O PALÁCIO DA MEMÓRIA: o podcast que virou livro

Por Caetano W. Galindo

Caetano W. Galindo, tradutor de O PALÁCIO DA MEMÓRIA (e quem nos apresentou o projeto!) conta como foi encontrar o autor do livro, Nate DiMeo, pela primeira vez

A experiência de ‘inventar’ um livro não é coisa que se dê todo dia.

Ao menos pra mim, que nunca nem não fui editor.

Quando decidi propor um livro montado a partir dos podcasts de Nate DiMeo em seu The Memory Palace, eu tinha alguma consciência do quanto o projeto era singular. Claro. Eu não sou tão tatu assim. Mas a real noção do quanto a coisa toda foi bem louca e, digamos com todas as letras, ‘especial’, eu só fui ter quando estive recentemente em São Paulo pra me encontrar com o próprio Nate e com todo o pessoal da Todavia pro lançamento oficial do livro.

As coisas já vinham bem, com resenhas pra lá de positivas, com o livro em listas de mais vendidos aqui em Curitiba mesmo durante a semana do dia dos pais (de alta circulação de livros de todo tipo)… em suma, com a sensação de que bastante gente ia se encantando com as histórias do Palácioexatamente como tinha me encantado eu, meses atrás, e como se encantou logo depois essa editora.

Difundir esse encanto, levar as histórias do Nate ao maior número possível de pessoas no Brasil era, afinal, precisamente o objetivo, digamos, editorial da coisa toda.

Mas, cá entre nós, essa minha ida a São Paulo teve também um gigantesco valor pessoal. Primeiro por rever o pessoal da editora, sendo que entre eles está Don André Conti, que meio que caminha junto comigo desde que eu comecei minha carreira como tradutor… Segundo, por finalmente encontrar pessoalmente o autor daquelas histórias, encontrar o dono do texto e da voz que me deixaram boquiaberto durante um longo voo transtlântico (cf. posfácio ao livro!), encontrar o cara que inventou aquele livro que a gente acabou reiventando como livro aqui no Brasil.

Num dado momento o André chegou a brincar dizendo “vai, admite que você bolou isso tudo só pra poder conversar pessoalmente com o cara!”.

E, quer saber, em algum nível foi isso mesmo…?

E no final é mesmo sempre assim…?

A gente lê e, quando cai de amores por um livro, entra exatamente nesse desejo de ‘conversar’ mais diretamente com o autor. É por isso, afinal, que têm feito tanto sucesso os eventos literários de todo tipo. É uma maneira de aprofundar a conversa que já tinha acontecido durante a leitura. É uma maneira de dar corpo à voz que vinha falando com você.

Tradutores vivem essa tensão de uma maneira peculiarmente direta. Isso porque você não apenas tem que ouvir mais atentamente aquela voz… você tem que ser a nova versão daquela mesma voz. Tem que incorporá-la, imitá-la. E isso gera uma relação que pode ser profunda pacas.

(É também por isso que tradutores têm grande afeto pelos autores com quem puderam conversar, ou se corresponder, e guardam amargos rancores daqueles que se negaram a isso…)

Eu ouvi os podcasts já pensando como tradutor. Já querendo traduzir. Já querendo dizer aquelas coisas pra mais gente. E, sentado ao lado do Nate no bate-papo do dia do lançamento, eu realmente cheguei aonde queria chegar desde o começo. E espero ter levado o livro que ajudei a inventar também ao lugar que ele agora merece ocupar.

Se uma vez, ao encontrar uma autora que eu traduzia, eu me apresentei a ela brincando que eu era ela no Brasil, ali, diante de dezenas de leitores autenticamente empolgados, me revezando com o Nate na leitura de histórias selecionadas do livro, eu definitivamente pude sentir o peso, a graça e a responsa de ser, daqui por diante, a voz daquela voz no Brasil. 

Porteiro daquele palácio.

E sintam-se em casa…


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