Das listas telefônicas ao poliamor

5 curiosidades sobre a Revolução Russa

Descubra aqui algumas das curiosidades que Sheila Fitzpatrick, uma das mais respeitadas historiadoras, desnuda em A REVOLUÇÃO RUSSA. Seu livro é considerado um relato definitivo sobre esse evento-chave do século XX.

 

Sobre o nome:

Até nomear a Revolução ficou complicado. A expressão “Revolução Russa” nunca foi usada na Rússia. No uso soviético, que muitos russos agora tentam evitar, era “a Revolução de Outubro”, ou simplesmente “Outubro”. O termo pós-soviético preferido parece ser “a Revolução Bolchevique”. (página 255)

 

Sobre mulheres:

Como Friedrich Engels, que escrevera que na família moderna o marido é o “burguês” e a esposa, o “proletário”, eles viam as mulheres como um grupo explorado. Ao final da Guerra Civil, foram decretadas leis que tornavam o divórcio facilmente acessível, aboliam o estigma formal dos filhos ilegítimos, permitiam o aborto e determinavam direitos e salários iguais para homens e mulheres. (...) Entre 1929 e 1935 quase 4 milhões de mulheres se tornaram assalariadas pela primeira vez, o que significa que um patamar básico da emancipação original das mulheres estava definitivamente estabelecido. (página 129)

Sobre listas telefônicas:

A natureza esquizoide da sociedade russa no início do século xx é bem ilustrada pela desconcertante variedade de autoidentificações fornecidas pelos assinantes da lista telefônica de São Petersburgo, a maior e mais moderna cidade da Rússia. Alguns assinantes mantinham as formas tradicionais e identificavam-se pelo estamento e posição social (“nobre hereditário”, “mercador da Primeira Guilda”, “cidadão honrado”, “conselheiro do Estado”). Outros pertenciam claramente ao novo mundo, e descreviam-se em termos de profissão e tipo de emprego (“corretor de valores”, “engenheiro mecânico”, “diretor de empresa”, ou, em um sinal representativo das conquistas russas no campo da emancipação feminina, “médica”). Um terceiro grupo era composto de pessoas que não sabiam a qual dos mundos pertenciam, identificando-se por estamento na lista telefônica de um ano e por profissão na do ano seguinte, ou dando ambas as identificações de uma vez só, como o assinante que se apresentou insolitamente como “nobre, dentista”. (página 36)

 

Sobre poliamor:

A liberação sexual, porém, era uma causa dos jovens comunistas que, ao contrário, desconcertava a liderança bolchevique. Devido à posição do partido quanto ao aborto e ao divórcio, presumia-se que os bolcheviques defendessem o “amor livre”, querendo dizer sexo promíscuo. (...) Até mesmo Aleksandra Kollontai, a líder bolchevique que mais escreveu sobre questões sexuais e era uma espécie de feminista, acreditava mais no amor que na teoria do sexo “natural como tomar um copo d’água” que se costuma atribuir a ela. (página 130)

 

Sobre o nome de Stálin:

Stálin, afinal de contas, era o revolucionário bolchevique que criou seu codinome partidário a partir da palavra russa para aço (stal). (página 193)



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